Marcha das Vadias : O que é? Por que marchamos?

Marcha das Vadias : O que é? Por que marchamos?

A marcha das Vadias, originalmente “SlutWalk”, surgiu em Toronto, Canadá , tendo sua primeira manifestação no dia 3 de abril de 2011.

O protesto foi desencadeado, principalmente, por um comentário de um policial durante uma palestra sobre segurança na Universidade de Toronto que dizia que as mulheres deveriam evitar se vestir como vagabundas para não serem vítimas de estupro.

Desde então, a marcha vêm se espalhando com seu inegável contexto histórico, trazendo consigo diversas histórias, dores e reivindicações de todas as mulheres do mundo!

Ao longo do tempo, os motivos da marcha se expandiram e agora as mulheres marcham pela igualdade social, econômica e cultural, podendo se vestir, falar e agir da forma que quiserem sem serem julgadas pelos olhos de uma sociedade machista e injusta que entende como convite à invasão de seus corpos qualquer meio de expressão da mulher, seja física ou não.

Além disso, pedem por proteção e por segurança, seja na hora de utilizar os transportes públicos, de caminhar nas ruas ou até mesmo dentro de suas próprias casas. Pedem que a lei cumpra com seu dever de mantê-las intactas física e moralmente.

Portanto, agora é hora de marchar, mulheres! Agora é hora de soltar a voz que por muito tempo foi mantida abafada. Hora de mudança, hora de respeito, hora de não deixar que as mulheres sejam tratadas como produtos e que seus corpos não sejam vendidos em propagandas publicitárias ! É hora de dizer a todos que você, mulher, merece ser ouvida e respeitada!

Junte-se a nós por uma sociedade livre da opressão de gênero. Junte-se a nós por uma sociedade livre de preconceito, livre do machismo, livre da subserviência, onde a mulher possa cumprir a função social que bem entender e tenha reais condições de ocupar o espaço que desejar.
Onde o espaço seja, de fato, público também para o gênero feminino.
Sem distinção alguma, sem preconceito! 

Lugar de mulher é na Luta!!

Miriam Algarra 

As maritacas de Rubem Alves – Adolescentes e Gírias.

As maritacas de Rubem Alves – Adolescentes e Gírias.

Pouco mudara das maritacas de Rubem Alves, diferenciam-se agora por seus cantos. “Chora” diz o pagode; “Grita”, diz o rock;  ”Abraça” diz o Rap; “Desce”, diz o funk. E diante destes pedidos, um diz ao outro “É embaçado.”  E todos entendem. E ninguém chora, ninguém grita, ninguém abraça, ninguém desce.

Houve um tempo, em que ser igual era da hora: tênis, roupas e acessórios mudavam mesmo era de cor. Ser diferente era zuado.

Até que inventaram o descolado: decidiram que ser diferente era legal.

Agora são todos descolados, são todos diferentes e, por definição, ninguém mais o é.

O rap, o pagode, o samba,o rock, a bossa nova, o MPB e todos os outros bandos iniciaram uma maratona em busca do novo e do diverso. Estão à procura do único e da individualidade que se perdeu mais ou menos lá pelos anos dois mil. Mais ou menos quando as maritacas, embora parecessem cantar todas iguais, eram ouvidas. Mais ou menos quando pararam de chorar pela ditadura. Mais ou menos quando pararam de abraçar as causas de um país melhor. Mais ou menos quando pararam de gritar por justiça. Mais ou menos quando pararam de descer às ruas reivindicando direitos.

Enfim, embora meio desordenadas, as maritacas voam e de tanto canto que ouvi, espero ansiosa por um refrão agradável que vá em direção à, mais ou menos, quando todos os diferentes lutavam por igualdade.

 

Miriam Algarra

O que é a Marcha das Vadias?

O que é a Marcha das Vadias?

Um texto de Julia Bayer

  • A marcha das vadias começou no Canadá após uma onda de estupros na universidade de Toronto, onde um policial convidado para orientar sobre segurança disse que as mulheres poderiam evitar o estupro se “não se vestissem como vadias”. Essa fala gerou muita indignação e uma série de protestos que culminaram na primeira Marcha das Vadias. O movimento se espalhou pelo mundo e manteve o caráter de problematizar a violência contra a mulher e a atribuição de culpa a nós mesmas pelas violências que sofremos.

    A marcha defende que somos senhoras de nossos corpos e se nos chamam “vadias” por usarmos as roupas que escolhemos, por exercermos livremente nossa sexualidade e por não aceitarmos viver na sociedade machista em que vivemos: somos todas VADIAS!!!

    Dia 26 de maio será a 1ª. Marcha das Vadias de São Carlos: é dia de luta contra o machismo, é dia de nós mulheres mostrarmos que não aceitaremos nem violência escancarada, nem violência escondidinha. Chega! O machismo oprime a todos nós e nossa luta está apenas começando! Pra rua, mulherada!!!

    Marcha Das Vadias Sorocaba:

    26 de maio, sábado, 14h,Barão de Tatuí com Cesário Mota!

    http://www.facebook.com/events/361965953850912/

A procura do conto de fadas.

A procura do conto de fadas.

” O mundo está sempre te idealizando, cobrando atitudes, decisões e os desejos certos. ‘E se eu não me encaixar? E quem se encaixa? – Finja.’ E assim seguimos, com todas as merdas que carregamos e juntamos ao longo do caminho esperando que um dia alguém possa amá-las junto com as outras bagagens que levamos. ” – Miriam Algarra.

 

 

Ela queria um conto de fadas, mas perdera suas esperanças. 
“Era uma vez uma garota.”  
Só isso, uma garota. Nenhum conto de fadas começava assim. A garota em questão não viveu há muito tempo, nem em um reino distante, muito menos em um castelo. A garota em questão não era uma princesa e estava longe disso.
Era assim que começava sua história verdadeira : “Era uma vez uma garota”.

Mas todos insistiam em lhe atribuir adjetivos. Um excesso deles. Adjetivos são perda de tempo, são palavras a mais, soltas e infiéis. São palavras que dependem de muitos fatores. 
A beleza por exemplo, depende do tempo; as cores, da luz; a altura, do angulo. 
E assim seguem os adjetivos – em mudança constante.

Mas, voltando à garota, todos diziam “Uma linda garotinha, que vivia em uma maravilhosa terra distante, em um tempo onde os pássaros cantavam lindamente canções de ninar para delicados bebês…”

Ela ouvia essa história e pensava “Do que falam? Linda garotinha? Da terra nada vejo florescer, tão pouco vejo pássaros e dos bebês só ouço os choros”

Um dia a garota encontrou alguém. Só alguém, não um príncipe, não um cavalheiro, só alguém.

Ele disse “Eu vejo a beleza, mas ouço os choros também e nem por isso impedem-me de escutar os pássaros” 

Ele via tudo, ele ouvia tudo e dizia a garota “Tudo bem, eu vejo, mas eu amo mesmo assim”

E a garota relaxou e resolveu mostrar todas os seus defeitos. E ele a amava mesmo assim.

No começo foi bom, sentia-se verdadeira, pura, vista, amada e completa, nadava em um mar de rosas e espinhos, mas tudo bem, por que os espinho não podiam destruir o amor, os espinhos não machucavam ninguém.

Depois de um tempo as rosas sumiram. E os espinhos foram ficando maiores e mais pontudos.

Mas continuava tudo bem pra ele. A garota continuava sendo amada, mas os espinhos começavam a lhe incomodar. Mergulhada nesse mar, ninguém mais podia tocá-la sem se machucar. Ninguém, a não ser o menino. 

E a garota lembrou que um dia quis um conto de fadas, porque “lá ela seria amada incondicionalmente, com todos os seus defeitos e qualidades”.

Incondicionalmente”, insistiu e, mesmo sabendo o quanto ele a amava, teve de afastá-lo.
Quando ele perguntou “Por que me afastas? Amei seus defeitos, mostrei que nenhum deles me machucava.”
“Amou meus defeitos, mas não consegue, sequer, olhar pra minhas qualidades.”

E assim continuou a garota, apagando todos os adjetivos que atraiu e procurando novos que combinassem mais com quem realmente era.

 

 

Miriam Algarra

 

ps.: Escrevi e Reescrevi, mas o texto continuou confuso, cheguei a conclusão de quem é assim que são os sentimentos.

 

 

 


Cada macaco no seu galho! – Um manifesto contra o monitoramento das redes sociais por parte das escolas.

Cada macaco no seu galho! – Um manifesto contra o monitoramento das redes sociais por parte das escolas.

Já há algum tempo, deparamo-nos com uma situação que levou a escola a monitorar nossas redes sociais: passaram-nos uma lista de exercícios com um prazo de entrega estipulado para fazermos em casa. Eis que um dos alunos achou interessante criar um grupo no facebook para a troca de informações e aperfeiçoamento das respostas. Assim que descoberto, o grupo teve de ser excluído e os alunos participantes do mesmo tiveram suas atividades anuladas.

Estamos cientes da dificuldade de aceitar e acompanhar as mudanças do mundo contemporâneo por parte de nossas gerações antecedentes e, após uma longa discussão, decidimo-nos por tentar lhes ajudar nesse doloroso processo de abandono à tradição e aos desgastados conceitos perante os quais somos obrigados a viver.

Em primeiro lugar, aprendemos que opinião não vem de berço, forma-se ao longo do tempo através da troca de informações e das relações que estabelecemos uns com os outros. Nos dias de hoje, temos um arsenal de informações a nossa disposição e o único motivo de nos esforçarmos tanto para armazenar informações inutilizáveis, é nosso falho sistema de ensino que insiste em empurrar o vestibular por nossas gargantas. Tendo isto em mente, transforma-se a noção do erro que passa a representar, nada mais nada menos, do que uma forma de aprendizagem muito mais humana.

Essas são coisas que fingimos não saber dentro da sala de aula para não sofrermos tanto com a evidente competitividade a qual somos incentivados todos os dias. Esperamos, ansiosos, o dia em que poderemos nos expressar sem medo.

O papel das redes sociais é, justamente, dar-nos o espaço de liberdade que nos foi privado pela escola, onde podemos desenvolver nossas opiniões, discutir assuntos que nos interessam e interagir um pouco com as essências de nossa espécie, reavivando valores perdidos e aflorando a criatividade.

Convido à todos aqui presentes, pais, professores e diretores, a debaterem e pararem com o monitoramento ou, já que não houve comentários do caso, a nos explicar a atitude repressiva e desconfiada dos que estão aqui reunidos.

Agradecemos a atenção,

(ASSINATURAS)

12.04.2012, Colégio Ficcional.

PS.: A situação é ficcional, apesar das prováveis ocorrências similares.

 

Proposta: http://www.comvest.unicamp.br/vest2012/F1/f12012QZ.pdf

UNICAMP, texto 2.

E ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!

E ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais!

Se como disse Aristóteles, a ciência política tem como finalidade o bem do homem, nossa sociedade a usa com um conceito muito deturpado.

A política está infiltrada em nossas matrizes sociais, culturais e familiares e vêm sendo cobrada pelos pais contemporâneos cada dia mais. É claro que a participação do jovem é essencial, mas quanta famílias discutem  a verdadeira política à mesa do jantar? A maioria ensina aos filhos frases feitas e partidárias para que repitam em seus meios sociais sem ter a mínima ideia do que estão falando. Há uma clara separação entre adultos e jovens que impede a interação destes com a política e , por consequência, falta-lhes informação para que não precisem carregar consigo pré-concepções de um mundo antigo e inúteis ao mundo atual.

Vivemos numa cultura estimulante da competição e da luta e, consciente ou inconscientemente, entendemos a democracia como a livre disputa pelo poder, quando na verdade deveria ser entendido que ninguém é dono da verdade e que o outro é tão legítimo quanto o um.

De acordo com Humberto Maturana, por exemplo, o fracasso das ditaduras e dos sistemas totalitários e estatistas, sejam socialistas ou não, atribui-se ao fato de que há, em qualquer uma delas, uma concentração da sabedoria em um só grupo humano e isso gera uma tirania com os restantes grupos que foram negados.

É necessário entender que a convivência democrática pela qual tanto almejamos em nossos lares e país, só surgirá a partir da aceitação mútua e enquanto não sairmos de nossas zonas de conforto e começarmos a nos relacionar de forma a validar as atitudes alheias, nada mudará e a herança de nossos filhos será viver assim como vivemos nós e nossos pais e como cantou Elis “ E é você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem”

Abram caminho para o novo e deixe que venham, e deixe que façam, e deixem que mudem e deixe que vivam!

 

 

Miriam Algarra

 

Justificando consequências pelos meios – Internet é invasão de privacidade?

Justificando consequências pelos meios – Internet é invasão de privacidade?

Atualmente, os relacionamentos estão cada vez mais virtuais e consumistas. As pessoas não conseguem mais, simplesmente, aproveitar o tempo ao lado uma das outras, são necessários diferentes estímulos, como almoços, cinemas e compras, para que se sintam confortáveis. Com essa visível distância entre elas, ficam mais vulneráveis e procuram se relacionar através dos meios que lhe são viáveis: jogos online,salas de bate-papo ou, até mesmo, tendo video-games que lhes servem de melhores amigos.

O mundo se tornou um lugar repleto de solitários. Irônico, não? Na internet essas pessoas, para quem ninguém mais liga, podem ser quem elas quiserem. Podem deixar a timidez e a baixa auto-estima de lado e flertar ou ser a mais popular de certa rede social.

O ponto é que a sociedade prefere culpar um meio de expressão ã dar-se conta de que o que as pessoas querem é serem vistas e ouvidas, porque há muito, vivemos em um mundo egoísta e ocupado demais para conservar a característica que nos tornou humanos: seres amorosos, que não sobrevivem sozinhos, que precisam ser cuidados e respeitados.

A culpa do excesso de exposição das pessoas não é culpa do meio em que se expressam e sim do que a sociedade decidiu conservar em nossas vidas.

Para haver um equilíbrio, é necessário retomar o que chamávamos de intimidade, porque todos merecem alguém que ouça, ame, envolva e o convença a abandonar o tão seguro mundo virtual e a voltar a se arriscar nessa desconhecida realidade em que estamos : amar, aprender, cair e levantar, mas acima de tudo, viver.

 

 

Miriam Algarra

 

A liberdade Linguística – Carta Argumentativa em resposta à Sírio Possenti – Gramática e Política

A liberdade Linguística – Carta Argumentativa em resposta à Sírio Possenti – Gramática e Política

Caro Sírio Possenti,

Creio que seria adequado classificar a gramática em dois grupos distintos, sendo um deles embasado nas teorias de linguística moderna, que trabalha com a mudança e a variação e o outro no discurso de senso comum impregnado de concepções arcaicas sobre a linguagem operando sempre com o conceito de “erro”.

Ao meu ver, a língua é entendida como a organização sintática de sons e significados que permitem a interação humana e a noção de erro foi implantada no mundo ocidental em uma relação sócio-cultural estudada pela sociolinguística, compreendida aqui em um conceito muito amplo como o estudo das relações sociais intermediadas pela linguagem.

É fato também, que a gramática precede as mudanças, ajustando-se as variações linguísticas populares e não o contrário. Tendo isto em vista, o que seria, pois, considerado errado?

O erro só existe quando uma variação linguística é usada fora de seu contexto.

Reconheço, obviamente, a importância das normas gramaticais como patrimônio histórico-cultural do Ocidente e até mesmo como forma de arte, mas não para ser classificada como única forma linguística válida.

Concordo quando afirma que a gramática tradicional é um conceito de língua elitista, já que foi constituída com base em preconceitos sociais que revelam o tipo de sociedade onde ela surgiu: escravagista, aristocrática, oligárquica e muito hierarquizada.

Enfim, apesar de concordar com vários pontos de seu texto,tenho para mim que um profissional da educação deve sempre validar o saber prévio dos aprendizes visando a ampliação de sua capacidade comunicativa, reforçando um tipo de construção de linguagem mais democrática e menos discriminativa, pois isso preservaria uma relação respeitosa entre educador e aluno, sendo esta essencial para que a aprendizagem ocorra.

Atenciosamente,

Miriam Algarra

2012: O fim da humanidade.

2012: O fim da humanidade.

Tidos como a espécie mais inteligente do planeta, os seres humanos são caracterizados popularmente por serem mais desenvolvidos que os animais, ou seja, podem criar utensílios que auxiliam na sobrevivência e bancam luxos, ter opinião própria, expressá-las e lutar por seus direitos.

Outra característica de alguns indivíduos dessa espécie é a incansável busca pelo conhecimento e pela informação e, por estes, é que venho me manifestar. Há muito, previsões foram feitas e existem rumores de que 2012 seja o ano escolhido para o fim da humanidade. Tento discordar e mandar estes pensamentos longe, mas parece que a única coisa que está indo embora é a esperança.

Moldados por uma sociedade capitalista e educados para a ignorância, deixamo-nos controlar pela mídia e nos contentamos com a falsa liberdade oferecida por ela. Aos poucos, estamos perdendo os valores que nos tornaram tão especiais e nos convencendo de que o egoísmo e a auto-preservação são as melhores maneiras de sobreviver quando o que nos torna humanos, é justamento o contrário.

Só chegamos até aqui porque cuidamos um dos outros e essa é a nossa maior virtude. A capacidade de se relacionar, amar, perdoar, aceitar e entender são os únicos caminhos para algo maior que a sobrevivência, são o caminho para a vida. A cada atitude, escolhemos o que queremos conservar em nossas vidas e, neste ano, entristeceu-me ver tantas escolhas deturpadas.

SOPA, ACTA, PIPA, maltrato aos animais, estupro (forjado ou não, os dois são igualmente repulsivos), movimentos contra a liberdade homossexual, intolerância religiosa, política e social,  o caso do pinheirinho e da cracolândia… Tudo isso vai contra nossos princípios, tudo isso vai contra nossa essência de seres unidos, cuidadores e exclusivamente emotivos.

Nas escolas, somos incentivados a concorrer uns com os outros  por um mercado de trabalho falido e precário onde nós nunca estaremos em nossa condição ideal. Quem foi que nunca escutou ” Mas na vida, você não vai escolher seus parceiros de trabalho, nem vai poder argumentar com o seu chefe” ? Vendem boas faculdades e dinheiro no bolso, mas garantem uma vida de operários.

Faz tempo que somos educados para ir contra nossa natureza primordial, levados a acreditar que a guerra e a competição fazem parte do nosso âmbito natural e que somos criaturas racionais, quando na verdade, todas as nossas ações tem um fundo emocional. Sem essa base, encontramo-nos perdidos em um caos de recorrentes emoções contraditórias.

Não se preocupem, 2012 não é o fim para os animais membros da espécie primata bípede Homo Sapiens, mas creio que chamá-los de HUMANOS não seja mais adequado, portanto, meus caros, chegamos, provável e finalmente, ao fim de toda nossa verdadeira humanidade

Despeçam-se com o devido respeito dos 2 milhões de anos em que existiram e usufruíram da Terra e seus recursos, agradeçam por cada momento em que foram considerados humanos, porque de agora em diante,  recuso-me diante de tamanha hipocrisia.

Miriam Algarra

“A enfermeira e o cachorro”

“A enfermeira e o cachorro”

Cansada de ler inúmeras apelações e imagens sensacionalistas enviadas pela massa atingida pela mídia em todas as minhas redes sociais, resolvi dar a minha resposta á situação.

Não pensem que sou a favor da violência com os animais, muito pelo contrário. Só acho que existem alguns pontos que precisam ser analisados antes de qualquer julgamento, começando pelo da enfermeira. Falo por mim e por muitos quando digo que não a conhecemos, não sabemos sua história e todo ser humano sempre faz o que faz de acordo com o ponto de vista em que ele se encontra e ninguém mais poderá entender. Toda dor produzida parte de um ponto de sofrimento interno, um ponto que deve ser trabalhado.

O tipo de propaganda que está sendo feito só desperta o ódio dentro de cada um de nós e nos faz julgar outro ser humano sem ao menos conhecê-lo, sem ao menos saber o que ele passou. Se falam de um estuprador, automaticamente o condenam, mas se te contam que ele sofria abuso sexual da parte do pai, por exemplo, passam a entendê-lo um pouco mais. Ele precisa pagar? Lógico que sim, mas acima de tudo ele precisa de ajuda para superar seu próprio trauma, para que aquilo não volte a acontecer.

O ponto é : quem julga supõe que é superior ao outro e isso não é verdade porque a sua história é diferente da dela. Como dizer quem é melhor se são tão diferentes?

Falando agora sobre o sensacionalismo criado pela mídia : o que eles querem com tudo isso? Por que de um dia para o outro a Globo está tão interessada na violência contra os animais?

Sinceramente, se realmente se importassem com os animais as imagens seriam muito diferentes. Por que não mostram as imagens de um abatedouro? Talvez por que mostrem bois e galinhas e não filhotinhos de cachorro, não é? Até agora eu tinha ficado quieta porque a última coisa que eu sou é hipócrita: eu fui vegetariana por 5 anos, infelizmente não consegui manter mais que isso, mas estou me esforçando porque tenho consciência do que é preciso para que o churrasquinho de domingo aconteça.

Enfim, não consegui mais ficar quieta porque são tantas pessoas postando essas coisas como se realmente isso fosse ajudar alguém,  como se fizesse algum bem pro mundo! Na minha opinião, se há algo com o que se preocupar são essas coisas:

            

Delícia né?

E não é só a questão da carne!

Ninguém se importa porque os muros da burguesia escondem toda essa pobreza e sofrimento. Ninguém se importa se a Nike usa mão de obra escrava e infantil porque é mais confortável não se sentir culpado a cada passo, ninguém se importa se, apesar das letras da lei, a escravidão ainda não está extinta, se mulheres e meninas são capturadas para serem escravas domésticas, ajudantes para diversos trabalhos e traficadas para prostituição forçada.

Ninguém se importa, mas deveriam.

Então, da próxima vez que for compartilhar uma frase maldosa sobre a enfermeira pense sobre o que está por traz disso. Compartilhe mesmo assim se for preciso, mas lembre-se também de se importar com outras coisas, coisas que você realmente pode mudar! O cachorro já morreu, desculpem pela falta de eufemismo, mas ele não vai voltar e outras pessoas cometerão o mesmo crime diversas vezes, faça a sua parte de verdade. Leia mais, informe-se mais, não acredite em tudo que a TV fala, não se deixe levar pelo sensacionalismo, tente ver pelo lado do outro e principalmente de mais atenção aos problemas que você pode mudar e resolver.

Não feche as portas para o mundo simplesmente porque dói menos se você não ver o que está realmente acontecendo.

Miriam Algarra