Descobrimento do Brasil – Minha última redação escolar =)

Lembro-me bem de como deitei em minha cama a refletir sobre a última aula daquela terça-feira ensolarada e de como a professora havia explicado que Pedro Alvares Cabral queria ter chego ás Índias e se perdeu, descobrindo então o Brasil. Convincente não? É, meus amigos também acharam, mas para mim tinha algo errado…

Inicialmente não sabia como acontecera, eu estava lá, dentro de uma das três caravelas da Esquadra de Cabral. Era uma visão e tanto, admito. Todos os tripulantes trabalhando aos comandos de quem viria a ganhar os méritos pelo descobrimento de uma nova terra . Eis que avistaram a costa.

Aguardei ansioso para encontrar os tais selvagens que não tinham religião, estudos nem conhecimento. Achei que eu fosse o único que já havia estado lá, mas a maioria se comportava como se estivesse acostumado à aquele tipo de expedição. Decidi tentar conversar com alguém, por incrível que pareça, eu não estava temeroso e tinha certeza de que todos me reconheceriam como mais um tripulante. Escolhi um dos homens que levavam cargas de um lado para o outro e enquanto o ajudava, perguntava algumas coisas.

Contou-me que estas terras já haviam sido encontradas e que Portugal estava apenas oficializando a descoberta no cartório, tinham até um escrivão, Pero Vaz de Caminhas, que relataria tudo ao Rei de Portugal.

Resolvi encontrar os tais selvagens e não me surpreendi ao encontrar uma civilização auto-suficiente. Simples, porém que tinham suas próprias crenças, que produziam o que precisavam : moradia, alimento e com habilidade, faziam vasos, redes e cestas. Cada um daqueles nativos conhecia a natureza de um jeito inexplicável, cada planta, árvore ou fruto tinha seu nome e sua função. Nomes hoje alterados pela cultura européia.

Infelizmente, enquanto o tempo passava, eu percebia cada vez mais todas as adulterações e interferências portuguesa no viver dos índios. Não eram só o nomes que mudavam, eles impunham sua cultura e religião,invalidando coerências e crenças indígenas configuradas ao longo dos tempos, durante a pré-existência do Brasil, anos antes da dita descoberta.

Na escola haviam dito tantas coisas… e eu já não podia acreditar,pois o que aconteceu depois que o português colocou os seus pés nessas terras foi um grande genocídio, uma destruição sem precedentes de um povo, da sua cultura tida como pecaminosa pela Igreja, colocando o índio como preguiçoso, pois segundo o europeu, ele não gostava de trabalhar, juntar riquezas, só se preocupava em conseguir o necessário para a sua sobrevivência. Via-se claramente que a finalidade da vida era viver e agora eu me peguntava porque isso é tão errado?

Por muito tempo permaneci junto com índios e portugueses, até que um dia em que não consegui diferenciá-los mais : estava concluída a deculturação e destruição de uma raça, que embora não reconhecida e incluída na população brasileira, é a principal matriz étnica para a constituição do que somos hoje.

Os sonhos nos possibilitam vivenciar anos em algumas horas, ou até mesmo minutos. Acordei um pouco desorientado, não tanto sobressaltado, mas chocado com o que havia sonhado. Tinha sido tão real e fazia muito mais sentido do que o que me ensinavam na escola, afinal, não foi somente em 1500 que temos passagens de estrangeiros se aproveitando das riquezas Brasileiras enquanto nós as desvalorizamos.

Atualmente, o índio vive sob a ameaça constante de grileiros, madeireiras, grandes pecuaristas e agricultores, que tentam lhes tomar as terras cedidas, e ressalte-se aqui, que o índio que era legítimo possuidor de tais terras, hoje depende de vontade política para resgatar as suas tradições, que foram arrancadas violentamente durante vários séculos de opressão.

Dessa forma, falta à sociedade brasileira, enxergar a enorme dívida que tem com o índio brasileiro, por ter lhe tomado suas terras, destruído a sua cultura, dizimado o seu povo e fazer o mínimo que pode hoje ser feito, que é garantir à população indígena restante no país, possibilidades de resgatar as suas raízes, de poder a voltar a viver em paz em suas reservas, ser vista e respeitada como integrante da população brasileira, com todos os seus direitos garantidos.

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